Historias e folias

Não basta viver o carnaval, tem que contar para alguém. Uma coisa, assim, como comer Sharon Stone. Pensando nisso, o Suvaco da Asa separou este espaço no blog para que você coloque a boca no trombone (e onde mais quiser) e divida com a gente as melhores histórias do seu carnaval. Como a gente também quer comer a Sharon Stone, seguem algumas para dar ideia.

Mijo e rapaz ladeira abaixo
Duas amigas brincam carnaval em Olinda. Muitas latas de cerveja depois, bexiga repleta, não deu mais para ir contra as leis da física.
Arrumaram um canto de ladeira qualquer e, enquanto uma, acocorada, descarregava alguns litros, a outra fazia a inútil “barreirinha” – aquela espécie de muro de vidro, que dá às mulheres a sensação de que ninguém sabe o que elas estão fazendo ali, em posição de sapo.
Eis que a mulher-barreira também não aguenta mais e se junta à amiga, ao rés do chão de paralelepípedos escaldantes.
Estão as duas, com caras de satisfeitas, produzindo cachoeira de mijo ladeira abaixo, quando chega um rapaz sem-vergonha com as vergonhas de fora, a sacudi-las para as moças, como quem badala um sino.
As meninas, que faziam as últimas forças no baixo ventre para terminar o xixi, se entreolham, bem trelosas, e gritaram em uníssono:
– Um pau! Pega, pega, pega!
E se puseram a correr atrás do moço, que sumiu nas ladeiras, assustado, tentando enfiar as partes de volta às cuecas.
Dizem que naquele Carnaval, um homem foi visto com o membro na mão, correndo como um maratonista, pra lá de Pau Amarelo*…

Para ler ouvindo: “Pega, pega, a minha rola”, da diva Selma do Coco.
* Joga no Google: Pau Amarelo + Paulista + Pernambuco

M.A.

Como é que é, meu irmão??
Carnaval é alegria, carnaval brincadeira, mas carnaval, pra ser bom mesmo, só funciona com tolerância.

Lá nos idos de mil novecentos e bolinha, presenciei uma história pra lá de cabeluda. Devia ser umas 6 da tarde do sábado de Zé Perreira. Eu já me preparava pra deixar a Cidade Alta (bairro histórico de Olinda), e descia ladeira abaixo com um grupo de amigos. Cerca de 10 metros a nossa frente, dois amigos – que já estavam cheios de mé na cabeça – cambaleavam no mesmo sentido.

Lá pelo meio da Henrique Diaz (rua em um dos principais focos da folia olindense), um dos bebuns olha pro lado e vê uma morena com o cabelo na cintura, vestidinho rosa, e plumas enroladas no pescoço, atracada, aos beijos, com uma ruiva de cabelo enroladinho e fantasia de fada.

O Zé Roela não pensou duas vezes, olhou pras meninas e soltou bem alto:

– Levo as duas pro motel agora!

Para sua surpresa, a resposta da morena de pink veio com voz de barítono:

– Como é que é, meu irmão!?!!!

A morena era, na verdade, um moreno, que fantasiado estava para as Virgens do Bairro Novo – bloco tradicionalismo onde os homens se vestem de mulheres.

Fosse o dia outro, a festa outra, ou a terra outra, essa história poderia ter outro fim, mas o que aconteceu foi uma grande gargalhada geral, compartilhada não só pelo casal e pelo bebum, mas de todos nós que assistíamos a cena.

A.L.A

Amor com carnaval
Quem disse que amor de Carnaval não vai pra frente?
Michael conheceu Ana… Os Patuscos tocavam em sol inclemente. Hoje, vão se casar.

Quem disse que amor não é sinônimo de Carnaval?
Lara deu a Paula uma sombrinha pra ela eternamente frevar.

Quem disse que frutos o Carnaval não dá?
João e Pedro aprenderam na placenta o que era brincar.

Quem disse que em Brasília Carnaval não há?
Decretamos todo ano que nessas quadras podemos brincar.

Quem disse que a regra do “não dá” não se pode quebrar?
Onze loucos vão mostrar que Carnaval faz mudar…

Rumos, padrões, humores, conceitos…

Dia 30 é o dia da Saudade.
Saudade que, mais uma vez, o Suvaco vai espantar.

L.S.

AGÓGO!!!
Tem uma rua em Olinda que é páreo duro, bem duro, duro latejando, para a Parada Gay de São Paulo. É a 13 de Maio, que começa quando termina a de São Bento e termina quando começa a do Amparo.
É nesta rua – também conhecida por Feira do Cu ou Feira da Rola, a gosto do freguês – que o pessoal GLSBTXYZ se reúne para paquerar, beijar na boca, se esfregar e, enfim, etc.
Onde a rua termina, dá para ter uma visão panorâmica dos Quatro Cantos, da subida da Ladeira da Sé, da rua Prudente de Morais e da rua da Ribeira. Ali, sempre tem uma pequena torre de polícia, onde duplas de guardas vigiam a mundiça.
Pois estava o Carnaval comendo no centro, pino do meio-dia, bichas e sapas endemoniadas, policiais em sentinela trepados em cima da torre.
Falando em trepados, dois intrépidos rapazes resolvem fazer de alcova o vão da torre da polícia. E ali mesmo começam um bola-gato, com a proteção da Polícia Militar de Pernambuco.
Uma bicha que passa e olha a cena, um de joelhos e outro de pé, não se contém e pergunta ao que estava ajoelhado:
– Tá gostando, frango?!
De boca cheia, o rapaz responde:
– AGOGANGO!

Se você não entendeu ou nunca fez boquete na vida, experimente botar uma banana na boca e falar a palavra: ADORANDO…

R.H.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s